" 10 coisas que você NÃO deve fazer no Japão "

1 - Não falar alto em locais públicos no Japão

No Japão, o silêncio em espaços públicos é mais do que um costume, faz parte de uma cultura baseada em respeito coletivo, harmonia social e consideração ao próximo. Falar alto, rir exageradamente ou fazer gestos expansivos pode ser visto como desrespeitoso e causar desconforto às pessoas ao redor.

No transporte público, o silêncio é regra: Nos metrôs, trens e ônibus, a discrição é levada muito a sério. Não é comum ouvir conversas altas, risadas, música ou telefonemas.



Os motivos são claros: Muitos passageiros estão retornando de longas jornadas de trabalho ou estudo. Pessoas descansam, dormem ou aproveitam o trajeto em silêncio. O ambiente é compartilhado por todos, então o respeito ao espaço comum é essencial.

Por isso, conversas devem ser baixas e curtas: Evite risadas altas e barulho excessivo. Falar ao telefone é totalmente desencorajado, praticamente proibido. Telefones sempre no modo silencioso, o famoso “manner mode” (modo silencioso) é quase obrigatório. Os japoneses ativam automaticamente esse modo ao entrar em trens, elevadores, hospitais e lojas, e esperam que outros façam o mesmo. Alguns trens até transmitem avisos dizendo: “Por favor, coloque seu celular no modo silencioso e evite fazer chamadas.” Além disso, ouvir música com fone alto a ponto de vazar som também é malvisto.

Evite gesticular de forma exagerada: Gesticular muito enquanto fala pode chamar atenção e atrapalhar as pessoas ao redor. No Japão, movimentos discretos são preferidos, pois mantêm a harmonia do ambiente. Evitam chamar atenção indesejada. Reduzem o risco de esbarrar em alguém em lugares lotados. Por que essa regra existe? Tudo isso vem de valores culturais profundos, como Wa (和), harmonia dentro do grupo. Omoiyari (思いやり), empatia e consideração pelo outro.

Saber viver em sociedade sem atrapalhar ou incomodar os demais. Por isso, o silêncio em espaços públicos não é apenas etiqueta é um ato de respeito com todos ao redor.

2 - Não comer ou beber enquanto anda

No Japão, comer ou beber enquanto caminha pelas ruas não é apenas incomum é considerado falta de educação e pode transmitir a impressão de descuido. Esse hábito, tão comum em muitos países, é evitado pelos japoneses por razões culturais, de respeito ao espaço público e de preservação da limpeza.

Por que não se deve comer andando?

Existem três motivos principais para essa regra cultural:

1. Limpeza e responsabilidade.
O Japão valoriza profundamente a limpeza das cidades. Comer enquanto anda pode gerar, migalhas ou pequenos resíduos no chão, risco de derrubar alimentos ou embalagens, gotículas de bebida caindo no piso, mesmo acidentes pequenos são vistos como falta de cuidado com a coletividade.

2. Etiqueta e postura.
Para os japoneses, comer é um momento que merece atenção e calma, não algo que se faz apressadamente enquanto caminha. Eles consideram importante, estar sentado ou parado ao comer, saborear o alimento com tranquilidade, respeitar o ambiente e as pessoas ao redor, comer andando passa a ideia de pressa, desatenção ou descuido.

3. Evitar causar incômodo aos outros.
Comidas com cheiro forte ou que podem pingar/lambaruzar são vistas como inconvenientes em locais públicos. A preocupação com não incomodar o próximo faz parte da cultura japonesa.

Quando é permitido comer em locais públicos?
Apesar da regra geral, existem exceções em que comer ao ar livre é totalmente aceitável.

1. Festivais (Matsuri).
Feiras de rua e festas tradicionais têm barraquinhas (yatai) com comidas típicas. Nesses eventos, comer enquanto anda é comum e totalmente aceito.

2. Áreas designadas para refeições.
Alguns parques, praças e espaços turísticos possuem locais específicos para comer, geralmente bancos, mesas ou áreas abertas preparadas para isso.

3. Lojas de conveniência (konbini).
Muita gente compra bentôs, snacks ou bebidas e consome do lado de fora da loja, em:

  • Bancos
  • Mesas do konbini
  • Áreas sem movimento

Resumindo:
  • Não comer enquanto caminha ❌
  • Parar em um local apropriado ✅
  • Usar áreas designadas ✅
  • Manter a cidade limpa ✅
  • Respeitar as pessoas ao redor ✅


Essa prática mostra como os japoneses priorizam ordem, limpeza e consideração pelo próximo, valores centrais da cultura local.

3 - Não tocar em pessoas sem consentimento

No Japão, o respeito ao espaço pessoal é uma parte essencial da cultura. Por isso, toques físicos entre pessoas que não têm intimidade costumam ser evitados. Abraços, beijos no rosto e demonstrações de afeto em público são considerados invasivos, especialmente entre desconhecidos ou em ambientes formais.


Mesmo o aperto de mão, comum no Ocidente, não é a forma tradicional de cumprimento japonês. Ele pode ser aceito em contextos mais internacionais, mas ainda assim costuma ser discreto e breve. Já gestos como tapinhas nas costas, abraços de surpresa ou puxar alguém pelo braço são vistos como ações indelicadas e até desconfortáveis.

Os japoneses preferem cumprimentos respeitosos, como a reverência (ojigi), que demonstra educação e cuidado com o espaço alheio. Respeitar essa norma mostra sensibilidade cultural e ajuda a evitar situações constrangedoras.

4 - Não usar sapatos dentro de casa

No Japão, entrar em uma casa usando sapatos é considerado uma das maiores faltas de educação. Essa regra está profundamente enraizada na cultura japonesa e tem relação com limpeza, respeito ao ambiente familiar e até aspectos históricos ligados aos tradicionais pisos de tatame.


Ao entrar em uma residência, é comum haver uma área chamada genkan, um espaço logo na porta onde os sapatos são retirados. Esse local geralmente é um pouco mais baixo que o restante da casa, marcando simbolicamente a separação entre o “mundo externo”, sujo, e o espaço interno, que deve permanecer limpo e confortável.

Dentro das casas, as pessoas usam meias, pantufas internas ou andam descalças, dependendo do costume da família. Em áreas específicas com tatame, até mesmo pantufas são retiradas, porque o material é delicado e pode ser danificado.

Essa etiqueta também se aplica a vários estabelecimentos, como templos, escolas tradicionais, clínicas, alguns restaurantes e hotéis no estilo japonês (ryokan). Sempre que você vir sapatos organizados na entrada ou um conjunto de pantufas disponíveis, significa que é necessário retirar os calçados.

Seguir essa regra demonstra atenção à cultura, respeito pelo anfitrião e cuidado com a limpeza, valores muito importantes no Japão. Se estiver em dúvida, basta observar o que os outros fazem ou perguntar educadamente.

5 - Por favor! Não fure filas

No Japão, respeitar filas é uma regra social levada muito a sério, e faz parte da cultura de convivência harmoniosa. Os japoneses seguem filas com calma e organização, mesmo em locais extremamente movimentados, como estações de metrô, lojas de conveniência, eventos e elevadores.


Furar a fila, empurrar ou tentar passar “só um pouquinho na frente” é visto como uma atitude extremamente desrespeitosa. Isso vale tanto para estrangeiros quanto para moradores locais, ninguém recebe tratamento especial. A ordem da fila representa justiça e igualdade, valores muito valorizados na sociedade japonesa.

Em muitas estações de trem, por exemplo, há marcas pintadas no chão indicando onde cada pessoa deve ficar para aguardar o embarque. As pessoas seguem essas marcações naturalmente, evitando tumulto e garantindo que todos entrem no trem de forma segura e organizada.

Até mesmo em situações informais, como em praças de alimentação ou em frente a máquinas de venda automática, as filas se formam espontaneamente e são respeitadas. Esperar sua vez demonstra respeito à ordem, consideração pelas outras pessoas e ajuda a manter o fluxo do dia a dia mais eficiente.

No Japão, entrar na fila corretamente não é apenas etiqueta, é uma forma de mostrar que você entende e valoriza a cultura e convivência em grupo.

6 - Evite isso! Não apontar ou tocar em comida

No Japão, os hashis (palitinhos) fazem parte importante da cultura e carregam muitos significados culturais. Por isso, usá-los de maneira inadequada pode ser considerado falta de respeito ou até trazer conotações negativas. Uma das regras mais importantes é não apontar para alimentos ou pessoas com os hashis, pois esse gesto é visto como rude e agressivo, semelhante a apontar o dedo em algumas culturas.


Outro cuidado essencial é não deixar os hashis enfiados verticalmente na comida, especialmente no arroz. Esse gesto remete diretamente a rituais funerários japoneses, nos quais o arroz é oferecido dessa forma ao falecido. Por isso, realizar esse ato à mesa é considerado um tabu muito forte e pode gerar grande desconforto aos japoneses ao seu redor.

Além disso, também é considerado má educação usar os hashis para empurrar pratos, espetar alimentos como se fossem garfos, ou “pescar” comida em pratos alheios. Cada movimento com os hashis deve ser feito com delicadeza e respeito, sempre seguindo as regras básicas de etiqueta.

Esses cuidados mostram não apenas educação à mesa, mas também sensibilidade cultural, algo muito valorizado no Japão.

7 - Não dar gorjeta

No Japão, dar gorjeta não faz parte da cultura e, na maioria das vezes, é algo totalmente inesperado para quem trabalha em restaurantes, táxis, hotéis ou outros serviços. Diferente de muitos países onde a gorjeta é vista como um reconhecimento ou até como parte da renda do profissional, no Japão isso não se aplica.


O motivo principal é que os japoneses valorizam um conceito chamado “omotenashi”, que significa oferecer um atendimento impecável sem esperar nada em troca. Isso quer dizer que o serviço já é considerado completo, justo e digno no momento em que você paga pelo produto ou refeição. Por isso, tentar dar gorjeta pode até causar constrangimento, pois passa a impressão de que você está tentando “pagar por um favor” o que não faz sentido dentro da cultura japonesa.

Em muitos casos, se você tentar deixar dinheiro extra sobre a mesa, o atendente pode correr atrás de você para devolvê-lo, acreditando que esqueceu por engano. Em hotéis de alto padrão, onde o atendimento é ainda mais formal, a gorjeta também não é esperada.

Em resumo, não tente dar gorjeta no Japão. O melhor jeito de demonstrar apreciação é com um simples agradecimento, “Arigatou gozaimasu” e um sorriso.

8 - Não jogar lixo fora do lugar

No Japão, a limpeza das ruas é um valor cultural muito forte, e isso não acontece por acaso: existe uma grande responsabilidade individual no descarte correto do lixo. Jogar lixo no chão, em terrenos vazios ou deixá-lo fora das lixeiras é considerado extremamente desrespeitoso e pode causar uma impressão muito negativa.


Uma curiosidade importante é que, apesar do país ser muito limpo, nem sempre é fácil encontrar lixeiras nas ruas. Após certos eventos históricos, como o atentado no metrô de Tóquio em 1995, muitas lixeiras públicas foram removidas por questões de segurança. Por isso, tornou-se comum que as pessoas levem seu lixo com elas até encontrarem uma lixeira apropriada, seja em estações de trem, lojas de conveniência (konbini) ou áreas específicas.

Além disso, o sistema de separação de lixo no Japão é bastante rigoroso. Em muitas cidades, é necessário separar corretamente o lixo em categorias como recicláveis, combustíveis, não combustíveis, plástico, garrafas PET, latas, vidro, entre outros. Misturar o lixo ou descartá-lo de forma errada pode gerar advertências ou até multas, dependendo da região.

Por isso, ao visitar ou morar no Japão, a regra é simples:

  • Guarde seu lixo até encontrar o local certo para descartá-lo.
  • Siga as instruções de separação quando houver lixeiras específicas.


Essa atitude demonstra respeito pela cultura local e contribui para manter o Japão como um dos países mais limpos do mundo.

9 - Não ignorar regras de transporte

O sistema de transporte público no Japão é um dos mais eficientes e silenciosos do mundo, e isso só é possível porque existe uma forte cultura de respeito dentro de trens, metrôs e ônibus. Ignorar essas normas é visto como falta de educação e pode causar desconforto aos passageiros ao redor.


Uma das regras mais importantes é respeitar os assentos prioritários, destinados a idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou com algum tipo de mobilidade reduzida. Mesmo que o vagão esteja relativamente vazio, sentar nesses lugares quando você não pertence a esses grupos pode ser interpretado como desconsideração. Em muitos casos, mesmo que os assentos estejam livres, muitas pessoas evitam usá-los para garantir que estejam sempre disponíveis a quem realmente precisa.

Outra norma fundamental é não falar ao celular dentro dos trens. Em algumas linhas, anúncios repetem que o uso do celular deve ser feito no modo silencioso, e ligações só são permitidas quando o passageiro está próximo às portas, em áreas específicas chamadas priority areas, mas mesmo assim, a maioria prefere não ligar para evitar incomodar.

Além disso, comer dentro de trens e ônibus é geralmente desencorajado, especialmente quando o transporte está cheio. O cheiro da comida pode incomodar outras pessoas e criar sujeira, o que é algo extremamente evitado no Japão.

Por fim, empurrões, conversas em volume alto, mochilas grandes bloqueando a passagem e atitudes que atrapalham o fluxo de passageiros também são malvistas.


A regra central é simples:

  • Seja discreto, respeitoso e ocupe o mínimo de espaço possível.


Esse comportamento coletivo torna a viagem mais confortável para todos e reflete a educação e a disciplina que marcam o transporte japonês.

10 - Não tocar em templos e objetos sagrados de forma inadequada

Os templos e santuários japoneses são locais de profunda importância espiritual, histórica e cultural. Por isso, existem diversas regras que os visitantes (japoneses e estrangeiros) devem seguir para demonstrar respeito. Tocar em objetos sagrados ou se comportar de maneira inadequada nesses locais pode ser considerado ofensivo.


Antes de entrar em muitos templos e santuários, é comum utilizar o chōzuya ou temizuya, uma espécie de fonte ritual usada para purificação. Ali, os visitantes devem lavar as mãos e enxaguar a boca, simbolizando limpeza física e espiritual. Realizar esse ritual de forma correta é uma demonstração de respeito ao local sagrado. Pular essa etapa, brincar com a água ou usá-la de maneira incorreta pode ser interpretado como falta de educação.

Além disso, muitos templos possuem objetos considerados sagrados, como sinos, cordas, talismãs, estátuas, portais torii e altares internos. Nem todos estão destinados ao toque. Em alguns locais é permitido puxar a corda do sino para fazer uma oração, mas em outros, isso é proibido. Por isso, é essencial sempre observar placas, avisos ou o comportamento das pessoas ao redor.

Outro ponto importante é a fotografia: diversos templos permitem fotos apenas em áreas externas, enquanto a parte interna, que costuma abrigar imagens religiosas e artefatos históricos, pode ter restrições rigorosas. Fotografar nesses locais pode ser considerado um desrespeito à divindade, à tradição e até aos rituais presentes.

Ao visitar templos no Japão, lembre-se de:

  • Manter silêncio e postura respeitosa.
  • Não invadir áreas restritas.
  • Não tocar em objetos sem saber se é permitido.
  • Seguir o fluxo de entrada e saída.
  • Evitar comportamentos inadequados, como correr, comer ou falar alto.

Respeitar essas práticas garante não só uma experiência mais profunda e significativa, mas também preserva a harmonia desses espaços sagrados.

Bom, enfim!

Seguindo essas regras, você não apenas evita gafes, mas também demonstra respeito pela rica cultura japonesa, tornando sua experiência mais agradável e memorável. Lembre-se: cada gesto conta e a harmonia do convívio está nas pequenas atitudes. Boa viagem e aproveite cada momento no Japão! 🌸

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